Trechos do livro

Maira – A mulher dos olhos de Jesus


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“... sua visão a respeito da beleza. Seus conceitos a esse respeito eram muito claros. Para ela, a beleza física jamais acabava porque ela era uma manifestação externa do estado interior das pessoas. Isso já seria suficiente para assegurar a sua eternidade. Pensava ainda Maira que, por via de conseqüência, a beleza era, a rigor, crescente. Isso porque ela espelhava a permanente evolução interna das pessoas e, sendo esta, naturalmente progressiva, em maior ou menor velocidade, igualmente “eterna” e progressiva seria a beleza externa. A beleza em si, no questionável conceito plástico, para Maira não tinha muita importância. Ela a valorizava no sentido da atmosfera revelada pelos olhos, pelo sorriso e pelas marcas das belas expressões, esculpidas pelo tempo. Maira era realmente uma mulher especial”

 
“A uns cinqüenta metros de altura, uma extraordinária luminosidade superou a claridade da manhã de sol, naquele bairro de Conceição, no Rio de Janeiro. Não havia pessoa que movesse sequer um músculo do seu corpo diante de tal fenômeno de brilho e luz. Para ainda maior assombro de todos, gradativamente inúmeros anjos trajando túnicas coloridas foram se tornando visíveis. Meninos e meninas de extraordinária beleza e graça. Não paravam de surgir em meio àquela intensa luz e imediatamente se espalhavam pelo ambiente fazendo uma graciosa algazarra, que enchia de alegria os corações de todos que lá estavam. Todos se mantinham sempre à mesma altura. Em pouco tempo, eram incontáveis os encantadores anjos que ocupavam aquele espaço. Tal era a sua quantidade que quase não se podia ver o azul da imensidão do céu. Como uma manta de proteção, alegria e amor, eles cobriram o local até onde a visão podia alcançar. Fizeram isso emitindo risinhos, o que só aumentou a paixão de todas as pessoas por aqueles cativantes meninos e meninas”
 

“...era realmente uma linda colônia. Predominava a vegetação em qualquer direção que se olhasse. Era circundada por muitas discretas elevações atapetadas pelo verde da vegetação tipicamente montanhesa e, ao centro, uma colossal planície ornada com graciosos jardins. Vista de onde Maira estava, a planície parecia um quadro caprichosamente pintado por um artista com ostensiva predileção por flores e das mais variadas cores e formas. Lagos de todos os tamanhos salpicavam a região de fontes de água pura povoada por incontáveis qualidades de peixes e vibrações de vida. Cortando sinuosamente o cenário, dividindo-o em dois, um caudaloso rio abastecia os lagos com água vinda da sua nascente, ao mesmo tempo em que servia de veículo para o deslocamento de imensos cardumes de um lago para outro ou para o alto do rio. De um lado ficava o complexo residencial da colônia. Encantadoras e práticas casas formavam vilarejos interligados. Esse conjunto de vilarejos se comunicava com o núcleo de trabalho por vias que deixavam cada um deles, corriam paralelas pela planície e se uniam em um determinado ponto. A partir deste ponto, nascia um novo caminho que ainda cortava boa parte da planície antes de atravessar o rio e se ramificar em direção a diversos locais onde estavam concentrados os inúmeros prédios de trabalho da colônia. A não ser pela concepção urbanística, era uma típica cidade de médio porte encontrada nos grandes paises. A diferença era que Telúria era uma colônia localizada no plano espiritual”

 

 
 
 
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